agora o tempo passa a correr.
esfuma-se, esvai-se
e nós não damos por ele.
envelhecemos com ele,
sem o vermos.
acordamos um dia e somos velhos,
não somos mais o que outrora éramos.
não tenho o tempo que parecia ter quando era inocente criança.
aí tinha tempo,
para tudo,
até para pensar.
agora o tempo corre, esfuma-se, esvai-se.
agora não tnho tempo,
nem para pensar.
mas também não quero,
não quero pensar.
pensar dói,
pensar faz-me perceber.
não quero pensar,
quero antes fingir que tenho em mim ainda a doce inocência de criança.
não quero o tempo,
não quero o pensamento.
quero-me a mim,
inocente,
ignorante,
eu apenas.
sem tempo,
sem pensamento.
Wednesday, August 30, 2006
Wednesday, August 23, 2006
Thursday, July 27, 2006
tanto tempo quieto.
já ganharam pó os meus pensamentos, os meus sentimentos.
o calor não me deixa pensar, respirar.
o vazio toma conta de mim cada vez mais fácil e frequentemente.
não corre em mim um doce sangue de sentimentos,
mas sim um ácido que me corrói e me deixa a sofrer.
não mais consegui pensar,
não mais me preenchi.
não mais senti.
sou quase todo pó e vazio.
já ganharam pó os meus pensamentos, os meus sentimentos.
o calor não me deixa pensar, respirar.
o vazio toma conta de mim cada vez mais fácil e frequentemente.
não corre em mim um doce sangue de sentimentos,
mas sim um ácido que me corrói e me deixa a sofrer.
não mais consegui pensar,
não mais me preenchi.
não mais senti.
sou quase todo pó e vazio.
Friday, July 07, 2006
confio muito nas palavras.
elas sabem tudo o que se passa comigo,
elas sabem quem sou.
cada palavra é um sentimento,
cada palavra fala por si,
fala por mim.
expressa uma emoção.
amor
ódio
raiva
paixão
tristeza
alegria
as palavras são minhas amigas.
a elas confio todos os meus segredos,
todas as minhas amraguras.
nelas encontro antídotos para os venenos que me corroem por dentro.
nas palavras vejo reflectido tudo aquilo que eu sou
por fora,
mas principalmente o que sou por dentro.
as palavras contam a minha história,
abrem-se para mim
e eu abro-me para elas.
somos bons amigos,
tratamo-nos com franqueza,
sem mentir, nunca mentir.
conhecem-me bem, as palavras.
e eu conheço-as bem.
elas reflectem-me,
reflectem os meus sentimentos,
sabem bem o que vai cá por dentro.
é das palavras de quem mais preciso,
é delas que dependo.
as palavras são a cura para a minha doença.
eu sou palavras,
as palavras compõe-me, conhecem-me, fazem-me, reflectem-me.
elas sabem tudo o que se passa comigo,
elas sabem quem sou.
cada palavra é um sentimento,
cada palavra fala por si,
fala por mim.
expressa uma emoção.
amor
ódio
raiva
paixão
tristeza
alegria
as palavras são minhas amigas.
a elas confio todos os meus segredos,
todas as minhas amraguras.
nelas encontro antídotos para os venenos que me corroem por dentro.
nas palavras vejo reflectido tudo aquilo que eu sou
por fora,
mas principalmente o que sou por dentro.
as palavras contam a minha história,
abrem-se para mim
e eu abro-me para elas.
somos bons amigos,
tratamo-nos com franqueza,
sem mentir, nunca mentir.
conhecem-me bem, as palavras.
e eu conheço-as bem.
elas reflectem-me,
reflectem os meus sentimentos,
sabem bem o que vai cá por dentro.
é das palavras de quem mais preciso,
é delas que dependo.
as palavras são a cura para a minha doença.
eu sou palavras,
as palavras compõe-me, conhecem-me, fazem-me, reflectem-me.
estou farto que sejas só uma recordação.
uma réstia melancólica de algo passado,
um rumor apenas que ouço cá dentro...
algo, indefinido, nem sei bem o quê.
estou farto que sejas apenas e só isso.
não podes ser uma mísera recordação,
não é suposto,
não quero.
não quero só isso.
quero mais,
quero muito mais.
és apenas uma réstia imortal de algo
que paira sobre mim,
que paira no meu pensamento.
uma imaterialização
que teima em não ser material...
e sofro,
sofro com a imaterialização de uma recordação.
não te tenho,
tenho apenas esta simples réstia,
esta mísera e ridícula recordação.
quero mais...
uma réstia melancólica de algo passado,
um rumor apenas que ouço cá dentro...
algo, indefinido, nem sei bem o quê.
estou farto que sejas apenas e só isso.
não podes ser uma mísera recordação,
não é suposto,
não quero.
não quero só isso.
quero mais,
quero muito mais.
és apenas uma réstia imortal de algo
que paira sobre mim,
que paira no meu pensamento.
uma imaterialização
que teima em não ser material...
e sofro,
sofro com a imaterialização de uma recordação.
não te tenho,
tenho apenas esta simples réstia,
esta mísera e ridícula recordação.
quero mais...
Monday, June 26, 2006
o vento não sopra,
o rio não corre.
o sol não raia,
a terra não gira.
a música há muito que parou,
a vida há muito que cessou.
pesa-me a mão
a cabeça
o corpo.
o silêncio mórbido e pesado paira pesaroso sobre mim.
nesta paz solitária pareço ser o único a viver,
mesmo que nada sinta, nem o meu sangue a correr.
nesta calma solitária,
penso e repenso,
mas dói-me e canso-me.
paira uma dor fria sobre mim.
mas o que importa agora é este momento,
aqui, este lugar,
esta calma aborrecida
este silêncio mórbido.
aqui tudo dorme,
tudo está parado,
tudo parece morto.
nesta calma mórbida
aborrecida,
apenas eu pareço viver.
o rio não corre.
o sol não raia,
a terra não gira.
a música há muito que parou,
a vida há muito que cessou.
pesa-me a mão
a cabeça
o corpo.
o silêncio mórbido e pesado paira pesaroso sobre mim.
nesta paz solitária pareço ser o único a viver,
mesmo que nada sinta, nem o meu sangue a correr.
nesta calma solitária,
penso e repenso,
mas dói-me e canso-me.
paira uma dor fria sobre mim.
mas o que importa agora é este momento,
aqui, este lugar,
esta calma aborrecida
este silêncio mórbido.
aqui tudo dorme,
tudo está parado,
tudo parece morto.
nesta calma mórbida
aborrecida,
apenas eu pareço viver.
Sunday, May 28, 2006
creio
creio apenas naquilo que vejo
ouço
toco
saboreio
cheiro.
com isto sei que as coisas existem e
vivem.
sei a que sabe o mundo,
a que cheiram as coisas.
vejo o belo e horrível,
ouço as sinfonias e os ruídos.
já senti o suave e o áspero.
é assim que conheço o mundo,
através de mim,
através destes sentidos,
e é assim que creio nas coisas.
foi assim que te senti,
que te toquei,
que te cheirei,
que te ouvi
e saboreei....
é assim que sinto tudo, é assim que vivo,
é assim que sei que vivo.
ouço
toco
saboreio
cheiro.
com isto sei que as coisas existem e
vivem.
sei a que sabe o mundo,
a que cheiram as coisas.
vejo o belo e horrível,
ouço as sinfonias e os ruídos.
já senti o suave e o áspero.
é assim que conheço o mundo,
através de mim,
através destes sentidos,
e é assim que creio nas coisas.
foi assim que te senti,
que te toquei,
que te cheirei,
que te ouvi
e saboreei....
é assim que sinto tudo, é assim que vivo,
é assim que sei que vivo.
há já 25 dias que nada escrevo.
não sei que dizer,
não sei que pensar.
é um sentimento estranho, pois estava habituado a que as palavras me fluíssem. mas não hei-de desesperar agora. vou esperar aqui por ti. porque só tu me inspiras, só tu me fazes escrever e fluir como ninguém. e enquanto não chegares, não sou capaz de escrever nem uma palavra.
não sei porque me foges, não sei por onde andas. mas espero que voltes depressa.
preciso de ti para viver, pois os pensamentos e as palavras são a minha vida.
não me fujas mais, ou qualquer diasou encontrado a um canto, oco, vazio, transparente...
há já 25 dias que não sei escrever,
que não sei que pensar,
que não sei que dizer.
é quase desesperante, começa a doer e a faltar algo cá dentro. não me fujas mais...
não sei que dizer,
não sei que pensar.
é um sentimento estranho, pois estava habituado a que as palavras me fluíssem. mas não hei-de desesperar agora. vou esperar aqui por ti. porque só tu me inspiras, só tu me fazes escrever e fluir como ninguém. e enquanto não chegares, não sou capaz de escrever nem uma palavra.
não sei porque me foges, não sei por onde andas. mas espero que voltes depressa.
preciso de ti para viver, pois os pensamentos e as palavras são a minha vida.
não me fujas mais, ou qualquer diasou encontrado a um canto, oco, vazio, transparente...
há já 25 dias que não sei escrever,
que não sei que pensar,
que não sei que dizer.
é quase desesperante, começa a doer e a faltar algo cá dentro. não me fujas mais...
Wednesday, May 03, 2006
não há sons mais belos que aqueles que só a Natureza e o Silêncio conseguem conjurar.
já experimentaste sentar-te lá fora e escutar?
ouvir Nada e ouvir Tudo.
nada te escapa.
o cantar alegre dos pássaros,
o vento a roçar-se nas folhas,
o vento a soprar,
o ladrar dos cães,
a chuva a cair...
lá longe ouço também os sons da cidade.
motas, carros, ambulâncias,
motores, afinal.
as pessoas gritam, cantam, berram, choram...
exaltadas, felizes, desesperadas, tristes.
pois, lá fora ouves tudo.
e a Natureza furiosa recomeça.
um trovão forte ribomba e intimida-me.
a chuva começa a cair torrencialmente, fazendo barulho.
é bonito de se ver, mas ainda mais bonito de se ouvir.
o trovejar, o chover.
todos começam a procurar um abrigo.
ouve-se o passo apressado das pessoas,
os cães cessam o seu ladrar,
e até ouvimos o mais pequeno dos pássaros bater as asas para se esconder, seguro.
o ribombar dos trovões é belo,
não há som igual ao da chuva a cair.
não há sons iguais.
e, subitamente, Nada.
nada se ouve.
cessou o trovejar e o chover.
veio o Silêncio.
e o Silêncio é de ouro...
banhado nesta tranquilidade imensa, fecho os olhos.
é tudo tão calmo, tão tranquilo...
desejo o Silêncio intensa e eternamente.
de olhos fechados adormeço.
e acordo com a Natureza.
o sol já brilha,
os cães ladram outra vez,
os pássaros cantam outra vez em tom alegre.
as pessoas andam lá fora outra vez.
os carros percorrem a cidade.
e eu cá fora, ouço tudo.
cá fora ouve-se Tudo...cá fora ouve-se Nada.
já experimentaste sentar-te lá fora e escutar?
ouvir Nada e ouvir Tudo.
nada te escapa.
o cantar alegre dos pássaros,
o vento a roçar-se nas folhas,
o vento a soprar,
o ladrar dos cães,
a chuva a cair...
lá longe ouço também os sons da cidade.
motas, carros, ambulâncias,
motores, afinal.
as pessoas gritam, cantam, berram, choram...
exaltadas, felizes, desesperadas, tristes.
pois, lá fora ouves tudo.
e a Natureza furiosa recomeça.
um trovão forte ribomba e intimida-me.
a chuva começa a cair torrencialmente, fazendo barulho.
é bonito de se ver, mas ainda mais bonito de se ouvir.
o trovejar, o chover.
todos começam a procurar um abrigo.
ouve-se o passo apressado das pessoas,
os cães cessam o seu ladrar,
e até ouvimos o mais pequeno dos pássaros bater as asas para se esconder, seguro.
o ribombar dos trovões é belo,
não há som igual ao da chuva a cair.
não há sons iguais.
e, subitamente, Nada.
nada se ouve.
cessou o trovejar e o chover.
veio o Silêncio.
e o Silêncio é de ouro...
banhado nesta tranquilidade imensa, fecho os olhos.
é tudo tão calmo, tão tranquilo...
desejo o Silêncio intensa e eternamente.
de olhos fechados adormeço.
e acordo com a Natureza.
o sol já brilha,
os cães ladram outra vez,
os pássaros cantam outra vez em tom alegre.
as pessoas andam lá fora outra vez.
os carros percorrem a cidade.
e eu cá fora, ouço tudo.
cá fora ouve-se Tudo...cá fora ouve-se Nada.
Wednesday, April 26, 2006
louco
dizem que ser louco é errado.
dizem que ser louco faz mal.
mas digo eu:
o que é a vida se não formos loucos?
de que serve se a loucura não se apoderar de nós?
que somos nós de resto se loucos não formos?
(nem que seja só um pouco, às vezes)
digo eu, àqueles que sofrem, aos sãos,
a vida é para ser vivida.
as loucuras fazem bem.
se loucos não fôssemos, seríamos não mais
que uma marioneta,
destinado a não mais que procriar para sobreviver e continuar...
mas não!
não, a vida deve ser tomada pela loucura!
devemos viver, devemos ser loucos.
ou a vida não será mais que um momento
passado como tantos outros.
Melancólico
Aborrecido...
e a sanidade tomará conta de nós até ao fim.
e nós não seríamos mais que uma marioneta obedecendo sem saber bem a quê...
não pode ser!
a loucura não é mal nenhum.
a loucura deveria comandar-nos,
não aquela sanidade correcta e aborrecida.
(a vida não é um momento
a vida é uma dádiva)
a vida pode ser vivida com loucura
a vida deve ser aproveitada.
porque a vida não é um momento.
e nós podemos ser sempre melhores que aquilo que fomos e somos.
dizem que ser louco faz mal.
mas digo eu:
o que é a vida se não formos loucos?
de que serve se a loucura não se apoderar de nós?
que somos nós de resto se loucos não formos?
(nem que seja só um pouco, às vezes)
digo eu, àqueles que sofrem, aos sãos,
a vida é para ser vivida.
as loucuras fazem bem.
se loucos não fôssemos, seríamos não mais
que uma marioneta,
destinado a não mais que procriar para sobreviver e continuar...
mas não!
não, a vida deve ser tomada pela loucura!
devemos viver, devemos ser loucos.
ou a vida não será mais que um momento
passado como tantos outros.
Melancólico
Aborrecido...
e a sanidade tomará conta de nós até ao fim.
e nós não seríamos mais que uma marioneta obedecendo sem saber bem a quê...
não pode ser!
a loucura não é mal nenhum.
a loucura deveria comandar-nos,
não aquela sanidade correcta e aborrecida.
(a vida não é um momento
a vida é uma dádiva)
a vida pode ser vivida com loucura
a vida deve ser aproveitada.
porque a vida não é um momento.
e nós podemos ser sempre melhores que aquilo que fomos e somos.
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