Saturday, December 09, 2006

Hooray, I'm Eighteen

e no entanto só há uma coisa que quero.
era a melhor das prendas.

este inverno chegou em força,
com frio,
intempéries,
neve e nevoeiro.
já tinha saudades de casa,
de recordar velhos cheiros,
abraçar aquelas pessoas,
retomar aqueles rituais.
e posso olhar para o inverno,
deleitado,
mas cheio de saudades.
tu ainda vais chegar, eu sei que sim.
ainda podes demorar,
mas vais chegar.

e no entanto só há uma coisa que quero.
queria sentir, sentir-te.
e sentir que sentes também.
era a melhor das prendas.

amor? mas o que é isso afinal?

Wednesday, November 08, 2006

e é isto que somos.
um saco amorfo,
totalmente dependente de emoções,
reduzidos a elas.
não somos nada.

Friday, October 27, 2006

e os sons de ti preenchem-me,
as imagens de ti maravilham-me.
oh, como és bela,
como te desejo!
Tu, selvagem,
Eu, louco.
somos a comunhão perfeita!
adoro sentir-te,
bem no meio de ti.
quem te faz mal não te compreende,
não te deseja tal como eu.
Tu, selvagem,
Eu, louco.
preciso de ti,
todos os dias!
e por vezes não te posso ter...
tu és capaz de tudo,
já te vi fazer o mais belo,
mas também o mais horrível.
já te vi fazer nascer,
mas também já te vi matar.
mas tu és mesmo assim,
és poderosa.
és tu, Natureza.
Tu selvagem
Eu louco.
somos a comunhão perfeita.

Monday, October 16, 2006

é belo lá fora.
é bonito.
quando acordo sinto o ímpeto natural de espreitar à janela.
ainda é noite,
ainda é escuro.
o sol ainda não raiou sequer.
mas vêem-se no céu nuvens,
tingidas de laranja dos candeeiros da cidade.
vê-se o céu, escuro, muito escuro.
eu que moro no cimo de uma montanha,
quase consigo tocar-lhe,
quero tocar-lhe!
imagino que lá cima tudo se Paz,
Sossego,
Calma.
um Nada absoluto.
é tão belo,
tão bonito.
quero aproximar-me,
quero lá chegar.
fico feliz por me deixares admirar-te logo quando acordo...
eu no cimo desta montanha quero ir aí,
quero estar aí.
no cimo desta montanha,
quase que te chego,
quase te toco e te sinto.
mas estar no cimo desta montanha não chega,
é insuficiente.
ainda não é tempo.
ainda vou lá chegar,
tocar e sentir.
sentir todo aquele Nada,
toda aquela Paz e Sossego.
mas não agora,
não ainda...
vou lá chegar um dia...
Caos.
vivo no Caos, bem lá no meio.
mas acho que já me habituei.
encontrei uma espécie de Harmonia,
um Equilíbrio.
habituei-me, sim.
é diferente, um pouco diferente.
mas continuo a ser o mesmo louco apaixonado.
amo a vida,
amo as pessoas,
amo a loucura, a minha loucura.
vivo no Caos,
bem lá no meio.
amo o Caos.

Thursday, October 05, 2006

Lisboa

Lisboa, parece-me a mim, é a mais bela das cidades.
a seguir talvez à Lamego do meu coração!
tenho saudades, muitas saudades,
mas Lisboa é bela, atrai-me.
não gosto daquele amarelo nocturno, nem do cinzento monocromático.
mas de dia, aquela luz natural inunda-me e faz-me sentir bem.
gosto de Lisboa, lá vivo,
respiro,
sou eu cheio de mim.
vou ter saudades de Lamego, eu sei.
mas Lisboa é bela.
é a mais bela, a seguir à minha terra.

Saturday, September 23, 2006

metanoia

Thursday, September 14, 2006

o inverno vislumbra-se lá ao fundo. subitamente acabou o verão sem que tivesse tempo de me despedir. não que o desejasse, pois não me lembro de um verão tão quente e atrofiante como este, que me prendia dentro de mim e me cansava só de pensar. apenas por isso, pois todo o verão foi um turbilhão imenso de sonhos, sentimentos, fantasias.
mas agora o verão acabou. e o inverno já chegou. e agora todo o meu exulta a chegada desta estação. vou vivê-la longe, eu sei, vou vivê-la de novo. mas vai ser o meu inverno, vou vivê-lo como se fosse a primeira vez, como se fosse até a única vez.
vou exultar até à exaustão a primeira gota de chuva, a primeira nuvem carregada que pairar, a brisa gélida que vai tocar suavemente no meu rosto.
o frio é para se viver, não para se ignorar.
o meu inverno vou ter que o viver de novo, longe, como se fosse o meu primeiro. sei que lhe vou sobreviver, sei que o vou sentir. vou vivê-lo de novo.
no meio de todo um novo de turbilhão de tanta coisa, no meio de um caos, vou encontrar uma ordem, uma paz.
o meu inverno chegou, chegou com algo para me inspirar.
o meu inverno chegou e vou vivê-lo novamente.
o meu inverno chegou e vou vivê-lo para longe.

Wednesday, August 30, 2006

agora o tempo passa a correr.
esfuma-se, esvai-se
e nós não damos por ele.
envelhecemos com ele,
sem o vermos.
acordamos um dia e somos velhos,
não somos mais o que outrora éramos.
não tenho o tempo que parecia ter quando era inocente criança.
aí tinha tempo,
para tudo,
até para pensar.
agora o tempo corre, esfuma-se, esvai-se.
agora não tnho tempo,
nem para pensar.
mas também não quero,
não quero pensar.
pensar dói,
pensar faz-me perceber.
não quero pensar,
quero antes fingir que tenho em mim ainda a doce inocência de criança.
não quero o tempo,
não quero o pensamento.
quero-me a mim,
inocente,
ignorante,
eu apenas.
sem tempo,
sem pensamento.

Wednesday, August 23, 2006

tenho medo de me perder,
de perder aquilo que tenho, aquilo que sou...
tenho medo de deixar de ser,
de quase desaparecer.
não quero deixar de perceber,
de sentir,
de imaginar,
de sonhar...
tenho medo,
não quero deixar de ser...
- acho que se passasses por mim agora na rua, não me conhecias...
- porque achas tal coisa?
- porque às vezes nem eu me conheço a mim próprio...

Thursday, July 27, 2006

tanto tempo quieto.
já ganharam pó os meus pensamentos, os meus sentimentos.
o calor não me deixa pensar, respirar.
o vazio toma conta de mim cada vez mais fácil e frequentemente.
não corre em mim um doce sangue de sentimentos,
mas sim um ácido que me corrói e me deixa a sofrer.
não mais consegui pensar,
não mais me preenchi.
não mais senti.
sou quase todo pó e vazio.