o ócio é o meu ópio. caí nele no início da minha vida. fiquei agarrado, viciado, sem eu querer, sem intenção. caí nas suas malhas era ainda muito novo, sem sequer me aperceber. já tentei deixá-lo, agitar-me e mudar, mas não consigo. é a pior das drogas. consome-me por dentro, numa agonia e melancolia constante. deixa-me estagnado, bloqueado, sem saber que fazer, que pensar, que dizer...em pânico, a rebentar...
o ócio é o meu ópio, a droga que pior faz, a droga que gostava nunca ter começado a consumir-me. o ócio é o meu ópio, dava tudo para que me largasse, deixasse em paz e me libertasse do marasmo constante...
Saturday, March 04, 2006
Thursday, March 02, 2006
surdo
estou surdo!sem ouvir nada!NADA!
apenas silêncio irritante, cheio dele!
Privado do som, do chilrear dos pássaros, da brisa nas árvores, do cair da chuva, do rugir dos trovões, do correr do rio, do rebentar calmo e violento das ondas, do bufar insano do vendaval. Privado do fechar duma janela, do abrir duma porta, do ruído dos carros. Privado de ouvir o abrir dum livro, do folhear das suas páginas, do amarrotar duma folha, do deslizar duma caneta enquanto escrevo. Privado de ouvir um disco girar, a televisão acender e desligar.Privado de ouvir o disparar duma arma, do rebentar duma bomba. Privado de ouvir as voltas que o meu corpo dá na cama sem sono. Privado da música, das melodias, da harmonia, do ruído. Privado do falar, do gritar, do berrar. Privado de ouvir o meu coração bater, o sangue correr, a cabeça pensar. Privado de ouvir as portas baterem, a luz apagar-se, a noite cair.
Privado de ouvir os teus passos, os nossos lábios beijarem-se, os nossos dedos entrelaçarem-se, os nossos corpos juntarem-se, os nossos corações a bater em uníssono...Privado de te ouvir falar.
ARRE SURDEZ que me impedes de ouvir o mundo...
by
Ghost Reverie
apenas silêncio irritante, cheio dele!
Privado do som, do chilrear dos pássaros, da brisa nas árvores, do cair da chuva, do rugir dos trovões, do correr do rio, do rebentar calmo e violento das ondas, do bufar insano do vendaval. Privado do fechar duma janela, do abrir duma porta, do ruído dos carros. Privado de ouvir o abrir dum livro, do folhear das suas páginas, do amarrotar duma folha, do deslizar duma caneta enquanto escrevo. Privado de ouvir um disco girar, a televisão acender e desligar.Privado de ouvir o disparar duma arma, do rebentar duma bomba. Privado de ouvir as voltas que o meu corpo dá na cama sem sono. Privado da música, das melodias, da harmonia, do ruído. Privado do falar, do gritar, do berrar. Privado de ouvir o meu coração bater, o sangue correr, a cabeça pensar. Privado de ouvir as portas baterem, a luz apagar-se, a noite cair.
Privado de ouvir os teus passos, os nossos lábios beijarem-se, os nossos dedos entrelaçarem-se, os nossos corpos juntarem-se, os nossos corações a bater em uníssono...Privado de te ouvir falar.
ARRE SURDEZ que me impedes de ouvir o mundo...
by
Ghost Reverie
Tuesday, February 28, 2006
alucinado
alucinações
provocadas pelo absinto,
induzidas pelo meu opiário.
um copo na minha mão
um charro na outra,
fumando e bebendo pela noite dentro,
pela vida fora.
alucinando,
com cores desde o vermelho ao azul,
com todas as cores.
absinto, ópio,
alucínio completo.
a eles não lhes escapo, a eles recorro.
acto quase mecânico
alucinações diárias,
intensas,
necessárias.
absinto num copo,
ópio num charro.
e é tudo o que preciso para continuar...
by
Ghost Reverie
provocadas pelo absinto,
induzidas pelo meu opiário.
um copo na minha mão
um charro na outra,
fumando e bebendo pela noite dentro,
pela vida fora.
alucinando,
com cores desde o vermelho ao azul,
com todas as cores.
absinto, ópio,
alucínio completo.
a eles não lhes escapo, a eles recorro.
acto quase mecânico
alucinações diárias,
intensas,
necessárias.
absinto num copo,
ópio num charro.
e é tudo o que preciso para continuar...
by
Ghost Reverie
Thursday, February 23, 2006

levantei-me da cama,
sem frio, sem sentir.
meio acordado, meio a dormir,
sei exactamente para onde ir.
o exterior negro da noite.
uma noite banhada pela luz lunar,
que ilumina os meus passos e me segue.
debaixo dela, inundado pela luz
inundam-me também pensamentos
e sentimentos.
pensamentos de amor e ódio
sentimentos de saudade, alegria e tristeza.
um misto de algo e alguém...
mas hoje a luz que me invade é mais forte
mais intensa.
porque não estou sozinho a pensar e sentir
inundado por aquela luz tão perfeita e intensa
que me ilumina e aos meus passos
e me inunda com pensamentos
e sentimentos...
és tu...
mas que fazes tu aqui,
tão devota a esta luz lunar?
que fazes tu aqui?
avanço (para ti),
avanças (para mim).
inundados e invadidos pela luz lunar,
juntos, fundidos num só......................
mas tal luz lunar cedo se acaba,
num sobressalto em que acordo,
suado e inundado por pensamentos e sentimentos.
malditos sonhos, acabam sempre quando não devem...
dedicado a ti porque sei que gostas da luz lunar que a todos invade.
a ti, espero que gostes de ser invadida por estas palavras.
um beijo lunar.
by
Ghost Reverie
Opiário
"Por isso eu tomo ópio. É um remédio.
Sou um convalescente do Momento.
Moro no rés-do-chão do pensamento
E ver passar a vida vida faz-me tédio."
Álvaro de Campos - Opiário
Sou um convalescente do Momento.
Moro no rés-do-chão do pensamento
E ver passar a vida vida faz-me tédio."
Álvaro de Campos - Opiário
Monday, February 20, 2006
calmia
repousonuma calmia absoluta.
uma calmia sossegada,
que me faz descansar,
dormir.
do calmo silêncio
surgem imagens ,
imagens que rapidamente percebo.
não são mais que sonhos,
sonhos calmos
sem sentido, que me envolvem.
sem palavras, sem sons, calmos.
esta calmia que aqui repousa,
tão intensa, ainda que silenciosa,
tão poderosa...
uma calmia que me embala
que me leva com ela,
nos seus reconfortantes braços.
repouso,
repouso...
nesta calmia absoluta
sou levado...
contigo...
depois da pior das tempestades, a mais calma das bonanças.
ainda bem que já estás bem
as melhoras, depressa!
By
Ghost Reverie
Friday, February 17, 2006
hábitos estranhos
por acaso nunca reparei, mas depois de consultar terceiros cheguei mesmo à conclusão que sou um ser estranho. senão reparem bem nos meus hábitos:
1º - acreditem ou não, tenho medo do ET (aquele do filme) desde que vi o filme quando tinha uns dois anos. ainda hoje me assusto. devido a isto, quando saio do quarto à noite para ir à casa de banho ou à cozinha não caminho, mas corro. com medo, assustado. que um ET me apareça à frente. é que está tudo escuro.
2º - a casa de banho para mim é o 2º lugar mais frequentado lá em casa a seguir ao meu quarto. não sei porquê a natureza chama-me me vezes demais. tenho o tremendamente estúpido hábito de ir constantemente à casa de banho fazer um xixizinho...
3 º - são as coisas que faço mais vezes: meter os dedos no nariz (mas não lambo a seguir) e roer as unhacas.
4º - tenho o estranho hábito de imitar com a boca instrumentos musicais: guitarras, baixos, baterias e ultimamente até saxofones. pelo que dizem lá em casa, é deveras irritante.
5º - desde o 10º ano, em que acabei um torneio de futebol em 3º lugar, que uso sempre as mesmas cuecas para jogar jogos importantes. quando não tenho jogo, estão religiosamente guardadas em casa.
6º - este hábito foi descoberto pela minha mãe e é sem dúvida estranho. todos os dias, ao chegar a casa tiro a roupa com que venho da rua, dou uma volta à casa totalmente nu e depois, passado uns 15 minutos de andar nu, visto a minha roupa de andar por casa...
agora digam lá, não sou estranho?
by
Ghost Reverie
1º - acreditem ou não, tenho medo do ET (aquele do filme) desde que vi o filme quando tinha uns dois anos. ainda hoje me assusto. devido a isto, quando saio do quarto à noite para ir à casa de banho ou à cozinha não caminho, mas corro. com medo, assustado. que um ET me apareça à frente. é que está tudo escuro.
2º - a casa de banho para mim é o 2º lugar mais frequentado lá em casa a seguir ao meu quarto. não sei porquê a natureza chama-me me vezes demais. tenho o tremendamente estúpido hábito de ir constantemente à casa de banho fazer um xixizinho...
3 º - são as coisas que faço mais vezes: meter os dedos no nariz (mas não lambo a seguir) e roer as unhacas.
4º - tenho o estranho hábito de imitar com a boca instrumentos musicais: guitarras, baixos, baterias e ultimamente até saxofones. pelo que dizem lá em casa, é deveras irritante.
5º - desde o 10º ano, em que acabei um torneio de futebol em 3º lugar, que uso sempre as mesmas cuecas para jogar jogos importantes. quando não tenho jogo, estão religiosamente guardadas em casa.
6º - este hábito foi descoberto pela minha mãe e é sem dúvida estranho. todos os dias, ao chegar a casa tiro a roupa com que venho da rua, dou uma volta à casa totalmente nu e depois, passado uns 15 minutos de andar nu, visto a minha roupa de andar por casa...
agora digam lá, não sou estranho?
by
Ghost Reverie
Sunday, February 12, 2006
na escuridão...
uma vez mais na escuridãotudo se transforma nas já tão cansadas pedras que compõe a vida
e onde eu me perco.
perco-me naquela escuridão silenciosa
caio na gélida e confortável escuridão
escuridão que me rodeia e que eu não temo
escuridão que me leva a percorrer as já tão cansadas pedras que compõe a vida.
escuridão a que me entrego
sem medo, sem a temer.
noite escura, abraça-me
percorre a meu lado as cansadas rochas da nossa vida.
vem, sempre do meu lado, comigo,
não me deixes
na escurdão silenciosa em que me perco....
deambulo
deambulo
ora vivo ora morto
por entre fantasmas que pairam
e fumos opacos
que aparecem no meu caminho.
sem saber porquê.
memórias vagas
lembanças vividas
recordações fluidas.
a vida
a morte
deambulam comigo.
ora a dormir ora acordado,
deambulo meio vivo
embebedado em sentimentos perdidos
e desconhecidos.
segurando num dedo um pensativo cigarro
deambulo por aquelas pedras que tão bem conheço
como se nunca antes as tivesse conhecido
pairando com a alma inquieta
e as memórias vagamente repetidas.
sufocado por recordações
afogado em sentimentos
embebido em musica
perdido nas pedras da vida
deambulo
tentando encontrar-me comigo...
ora vivo ora morto
por entre fantasmas que pairam
e fumos opacos
que aparecem no meu caminho.
deambulo sem saber para onde
sem saber o caminho a seguirsem saber porquê.
memórias vagas

lembanças vividas
recordações fluidas.
a vida
a morte
deambulam comigo.
ora a dormir ora acordado,
deambulo meio vivo
embebedado em sentimentos perdidos
e desconhecidos.
segurando num dedo um pensativo cigarro
deambulo por aquelas pedras que tão bem conheço
como se nunca antes as tivesse conhecido
pairando com a alma inquieta
e as memórias vagamente repetidas.
sufocado por recordações
afogado em sentimentos
embebido em musica
perdido nas pedras da vida
deambulo
tentando encontrar-me comigo...
Tuesday, February 07, 2006
no escuro do quarto
no escuro do quarto.
miles davis e john mclaughlin começam uma jam session fenomenal e intensa. os meus pés não param, acompanham inevitavelmente o ritmo contagiante da música. a música invadiu-me.
percebo agora porque lhe chamam a música do diabo.
a sala está impregnada com o cheiro doce do tabaco.
estou contagiado e não paro de pensar em ti, que inevitavelmente acabas por te materializar à minha frente. deslumbrante e ofuscante, o jazz é contagiante demais também para ti.
não resisto a juntar-me a ti e agarro-te gentilmente para que possamos dançar desenfreadamente. e só nós os dois enchemos aquela sala vazia e cheia com aquela música do diabo. estou possuído, tu estás possuída. o calor invade-me. o ritmo é intenso, os sons são imensos, a dança desenfreada.
não consigo parar, mesmo que os pés me doam. tu não consegues parar. não queremos parar. na verdade, não me importo de dançar até de manhã ao teu lado. e consigo ver pelo teu rosto que tu também não. a música possui-me intensamente. estou cheio com esta música, alimenta-me, preenche-me, invade-me.
e eis que a música acalma e nos aproximamos. mas só mesmo a música é que acalmou, porque o meu coração bate a mil a hora, capaz de rebentar ali mesmo. aquela aproximação acaba por se transformar num toque mútuo dos nossos corpos. a música continua a possuir-me e estar tão próximo de ti desperta um je ne sais quoi em mim, incontrolável. estar face a face contigo é algo que me preocupa, porque a vontade de te beijar aumenta com a intensidade da música.
repentinamente, as notas do saxofone sobem de tom e enchem novamente a sala. a guitarra, a bateria e o baixo juntam-se-lhes. não consigo parar. a sala está cheia de música e de sons e de nós. indescritível.
que se lixe, não tenho nada a perder. perco-me no doce e suavidade dos teus lábios e na intensidade musical. os nossos corpos juntos, a música, a dança, o ambiente intenso, tu! estou desconcertado e possuído.
caio na cama, exausto. por causa de um sonho bem real. uma música que ressoa na minha cabeça. uma dança que me deixou completamente arrebentado. um beijo que me deixou apaixonado e devastado.
no escuro do quarto, estive possuído, dancei, estive contigo, beijei-te, sonhei.
no escuro do quarto vivo.
by
Ghost Reverie
miles davis e john mclaughlin começam uma jam session fenomenal e intensa. os meus pés não param, acompanham inevitavelmente o ritmo contagiante da música. a música invadiu-me.
percebo agora porque lhe chamam a música do diabo.
a sala está impregnada com o cheiro doce do tabaco.
estou contagiado e não paro de pensar em ti, que inevitavelmente acabas por te materializar à minha frente. deslumbrante e ofuscante, o jazz é contagiante demais também para ti.
não resisto a juntar-me a ti e agarro-te gentilmente para que possamos dançar desenfreadamente. e só nós os dois enchemos aquela sala vazia e cheia com aquela música do diabo. estou possuído, tu estás possuída. o calor invade-me. o ritmo é intenso, os sons são imensos, a dança desenfreada.
não consigo parar, mesmo que os pés me doam. tu não consegues parar. não queremos parar. na verdade, não me importo de dançar até de manhã ao teu lado. e consigo ver pelo teu rosto que tu também não. a música possui-me intensamente. estou cheio com esta música, alimenta-me, preenche-me, invade-me.

e eis que a música acalma e nos aproximamos. mas só mesmo a música é que acalmou, porque o meu coração bate a mil a hora, capaz de rebentar ali mesmo. aquela aproximação acaba por se transformar num toque mútuo dos nossos corpos. a música continua a possuir-me e estar tão próximo de ti desperta um je ne sais quoi em mim, incontrolável. estar face a face contigo é algo que me preocupa, porque a vontade de te beijar aumenta com a intensidade da música.
repentinamente, as notas do saxofone sobem de tom e enchem novamente a sala. a guitarra, a bateria e o baixo juntam-se-lhes. não consigo parar. a sala está cheia de música e de sons e de nós. indescritível.
que se lixe, não tenho nada a perder. perco-me no doce e suavidade dos teus lábios e na intensidade musical. os nossos corpos juntos, a música, a dança, o ambiente intenso, tu! estou desconcertado e possuído.
caio na cama, exausto. por causa de um sonho bem real. uma música que ressoa na minha cabeça. uma dança que me deixou completamente arrebentado. um beijo que me deixou apaixonado e devastado.
no escuro do quarto, estive possuído, dancei, estive contigo, beijei-te, sonhei.
no escuro do quarto vivo.
by
Ghost Reverie
Sunday, February 05, 2006
vi

vi o apagar das chamas e o surgir das cinzas.
vi a flor secar e cair murcha.
vi o belo transformar-se em feio.
vi a luz tornar-se escuridão.
vi o declinar da vida e o impor da morte.
vi o simples e humilde ser deificado.
vi o amor acontecer.
vi o desabrochar duma flor.
vi o belo, vi o fantástico, vi o inagualável e o inimaginável.
vi-te a TI!
vivi, senti. chorei e sorri.
amei e odiei.
a minha vida, a vida de todos.
by
Ghost Reverie
Friday, January 27, 2006
e depois, o sul
o frio de janeiro, o inverno, preenche o vazio abismal dentro de mim.
cresce e enregela-me cada parte do meu corpo.
o frio é o meu sangue.
todos os dias, o caminho a percorrer é tão igual.
conheço tão bem os meus passos...
as pedras marcadas pelo tempo, pelos passos, pelas pessoas.
naquele dia frio, em que o frio do janeiro e o inverno, me preencheu o vazio em mim,
também tinha percorrido aquele caminho,
aquelas pedras marcadas pelo tempo.
conheço tão bem aqueles passos.
conheço tão bem este frio que me preenche,
este sentimento que não me aquece.
conheço bem os meus passos,
aquelas pedras marcadas pelo tempo e pelos passos e pelas pessoas.
naquele dia de frio de janeiro,
avancei, na escuridão que parecia não ter fim,
e dentro de mim, tudo, o medo, esperava por algo que sabia que ia acontecer.
os passos que eu conhecia tão bem fizeram-me avançar.
peguei naquele objecto imóvel, que tantas vezes perigoso, agora me fascinava.
o frio de janeiro e do inverno era intenso e enregelava aquele objecto.
peguei nele e tremia, não sei se do frio se do medo.
o medo olhava de dentro de mim através do transparente dos meus olhos.
peguei no objecto imóvel, escolhi uma bala e carreguei-o.
naquele momento nada mais existia.
as paredes da casa, as janelas,
as pedras marcadas pelo tempo, pelos passos, pelas pessoas, as pessoas.
a vida.
apenas eu e a escuridão que me envolvia em mais escuridão.
e eu ali, nu, impotente contra o frio de janeiro e do inverno.
levei a arma à boca e o seu frio fez-se sentir,
o seu gosto a metal inundou a minha boca, os meus dedos trémulos e frios agarravam o gatilho.
quando apertei o gatilho, o lábio ardeu e senti-lhe o sabor, mas já não interessava.
a bala tinha atravessado todo o seu caminho,
um caminho que conhecia tão bem.
e eu caí, inerte e frio, morto.
o meu corpo virado para sul.
o sangue da minha cabeça agora desfeita brilhava na escuridão.
e depois disso, nada interessava.
o medo, que se preparara para algo que sabia ir acontecer, desaparecera.
o frio de janeiro, do inverno, perdia-se em mais frio daquele dia.
as pedras continuavam lá, as pedras que eu conhecia tão bem,
pedras marcadas pelo tempo, pelos passos, pelas pessoas.
e eu, caminhava um novo caminho,
um caminho que conhecia bem,
cresce e enregela-me cada parte do meu corpo.
o frio é o meu sangue.
todos os dias, o caminho a percorrer é tão igual.
conheço tão bem os meus passos...
as pedras marcadas pelo tempo, pelos passos, pelas pessoas.
naquele dia frio, em que o frio do janeiro e o inverno, me preencheu o vazio em mim,
também tinha percorrido aquele caminho,
aquelas pedras marcadas pelo tempo.
conheço tão bem aqueles passos.
conheço tão bem este frio que me preenche,
este sentimento que não me aquece.

conheço bem os meus passos,
aquelas pedras marcadas pelo tempo e pelos passos e pelas pessoas.
naquele dia de frio de janeiro,
avancei, na escuridão que parecia não ter fim,
e dentro de mim, tudo, o medo, esperava por algo que sabia que ia acontecer.
os passos que eu conhecia tão bem fizeram-me avançar.
peguei naquele objecto imóvel, que tantas vezes perigoso, agora me fascinava.
o frio de janeiro e do inverno era intenso e enregelava aquele objecto.
peguei nele e tremia, não sei se do frio se do medo.
o medo olhava de dentro de mim através do transparente dos meus olhos.
peguei no objecto imóvel, escolhi uma bala e carreguei-o.
naquele momento nada mais existia.
as paredes da casa, as janelas,
as pedras marcadas pelo tempo, pelos passos, pelas pessoas, as pessoas.
a vida.
apenas eu e a escuridão que me envolvia em mais escuridão.
e eu ali, nu, impotente contra o frio de janeiro e do inverno.
levei a arma à boca e o seu frio fez-se sentir,
o seu gosto a metal inundou a minha boca, os meus dedos trémulos e frios agarravam o gatilho.
quando apertei o gatilho, o lábio ardeu e senti-lhe o sabor, mas já não interessava.
a bala tinha atravessado todo o seu caminho,
um caminho que conhecia tão bem.
e eu caí, inerte e frio, morto.
o meu corpo virado para sul.
o sangue da minha cabeça agora desfeita brilhava na escuridão.
e depois disso, nada interessava.
o medo, que se preparara para algo que sabia ir acontecer, desaparecera.
o frio de janeiro, do inverno, perdia-se em mais frio daquele dia.
as pedras continuavam lá, as pedras que eu conhecia tão bem,
pedras marcadas pelo tempo, pelos passos, pelas pessoas.
e eu, caminhava um novo caminho,
um caminho que conhecia bem,
caminhava para sul.
by
Ghost Reverie
by
Ghost Reverie
Subscribe to:
Posts (Atom)